quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Victor Watters Conversa com a Morte: Uma Meditação em 1 Coríntios 15:55-57

Ato Memorial por Victor Manuel Watters

Twin Cities, MN


11 setembro 2011 / por John Piper

“Olá, Morte, meu antigo inimigo. Meu antigo capataz. Você veio falar comigo de novo? Para me amedrontar? Eu não sou a pessoa que você pensa que sou. Eu não sou mais aquele com quem você costumava falar. Algo aconteceu. Nunca mais será do mesmo jeito. Deixe me fazer uma pergunta, Morte. ‘Onde está o teu aguilhão?’

“Meu aguilhão é o seu pecado, Victor,” Respondeu a Morte, irônica. Você é um pecador, Victor Watters. Você é um pecador. E esse é o meu aguilhão. E eu puno porque você peca. Se você não tivesse pecado, Eu não teria aguilhão. Você bem poderia ir para Deus, o lugar pra onde as pessoas sem pecado vão. Mas não existem pessoas sem pecados, Victor Watters. Eu puno todas elas. Incluindo você. Eu sou a Morte, e o seu pecado é o meu aguilhão.”

Victor disse, “Eu sei disso, Morte. Eu sei disso. Mas não foi isto o que te perguntei. Eu não te perguntei, ‘Oh Morte, qual é o seu aguilhão?’ Te perguntei, ‘Oh Morte, onde está o teu aguilhão?’ Eu sei qual é teu aguilhão. É o meu pecado. Ambos conhecemos a palavra de Deus. “O aguilhão da Morte é o pecado.” Isto está na Bíblia. Isto é verdade, Morte. Mas não foi isso que te perguntei. Eu te perguntei, “Onde está teu aguilhão?” Então, diga-me Morte, onde ele está? Me responda.”

A Morte sorriu com seu sorriso zombeteiro e disse, “Talvez, Victor, você não conheça a Bíblia tão bem quanto pensa. Talvez você tenha se esquecido do poder deste aguilhão. Este não é um aguilhão comum de abelha. Este não é nem mesmo um aguilhão de tarântula, ou de escorpião, Victor. Meu aguilhão não apenas tira a vida como o de uma tarântula – ou um câncer. Meu aguilhão queima eternamente. Meu aguilhão nunca sai. Talvez você tenha se esquecido disto, Victor. Você sabe que isso é verdade. Está na Bíblia. E eu sei que você ama a Bíblia. Você crê na Bíblia.”

Victor olhou para Morte nos olhos e disse, “Eu conheço o que está na Bíblia. Eu não sou tão velho, mas o sou suficiente para saber que o meu pecado é o seu aguilhão. Você tem um aguilhão porque eu sou um pecador. E eu sei que o meu pecado não é algo pequeno para Deus. Ele não é uma pequena contravenção. Não é só uma deslealdade, ele não é um crime capital. É uma traição. E não uma traição contra qualquer mero juiz humano, ou estado humano, mas contra o Criador do universo. Contra o reino do Deus Todo Poderoso.

“Você acha que eu esqueci disto, Morte? Eu conheço meu pecado melhor que você. E eu conheço a minha Bíblia. Conheço pelo menos as partes que preciso conhecer. Não sou muito velho, e ainda não a li toda. Mas eu li isto: “O salário do pecado é a Morte” (Romanos 6:23). E eu sei que quando ela diz, que a Morte é o salário do pecado, ela diz justamente o que você falou. Eternamente. Morto eternamente. Punido eternamente. Nenhum paraíso. Nenhuma Felicidade. Eternamente. Oh Morte, eu não me esqueci o que é o seu aguilhão. Não é um aguilhão de abelha. Ele queima eternamente. Você pensa que não acredito no inferno? Você pensa que eu esqueci que o meu pecado lhe dá o aguilhão do inferno?

“Veja, Morte, sou apenas uma criança. Mas até as crianças têm um consciência. Deus deu consciência às crianças. E minha consciência não despertou há muito tempo. Eu despertei. Deus me despertou. Então ela gritou alto dentro de mim a afirmação mais verdadeira que já havia ouvido: ‘Victor’, e disse, ‘Você é um pecador. Você não ama a Deus. Você não agradece a Deus. Você não confia em Deus. Você não obedece a Deus. Você não entesoura para Deus. Você não presta atenção em Deus. Você faz o que quer fazer. Ama a si mesmo.’ E minha consciência estava certa. Deus fez minha consciência falar o que é verdade.”

A morte interrompeu Victor antes dele haver terminado e disse com um sorriso malicioso, “Oh, há uma voz pior que esta jovem homem. Meu aguilhão é pior que a voz da consciência. Você pensa que meu aguilhão queima eternamente por causa da voz da consciência? A consciência não manda as pessoas para o inferno. Deus manda pessoas para o inferno.

“Ou talvez você tenha esquecido estas palavras da Bíblia: ‘O aguilhão da Morte é o pecado, e o poder do pecado é a Lei.’ Você ouviu isto, Victor? A Lei. O poder do pecado não está em sua consciência. Mas na Lei. E você conhece essa Lei. A Lei de Deus. O poder do meu aguilhão é a Lei de Deus. A Lei de Deus, Victor.

Deus deu ao meu aguilhão este poder, Victor. Deus é quem faz ele queimar eternamente. Sua consciência é uma coisa pequena. A Lei de Deus é absoluta. E ela diz: ‘Aqueles que se rebelaram contra mim; o seu verme nunca morrerá, nem o seu fogo se apagará; e eles serão um horror para toda a carne.’ (Isaias 66:24)*.

“Este é o meu aguilhão,Victor. Seu fogo nunca se apaga. Seu pecado é meu aguilhão. E o poder do meu aguilhão é a Lei de Deus. E a lei de Deus diz: Sua rebelião, sua desobediência, sua indiferença para com Deus, seu pecado merece as chamas eternas (Isaias 33:14)* O poder do meu aguilhão não é a voz da consciência, mas a voz de Deus.”

Houve silêncio entre a Morte e Victor por um momento. O velho inimigo olhou fixamente para a pequena e radiante face de Victor.

Sem vacilar Victor disse, “Você pensa que eu não sei disso? Você pensa que a voz da minha consciência não me conduz para a voz de Deus? Você pensa que eu não sei que o poder do seu aguilhão não sou eu, ou minha consciência ou suas ameaças, mas a inquebrável lei de Deus? Você pensa que não sei disso? Você pensa que não sei que em meus pecados eu permaneço condenado – não por você, ou minha consciência, ou por nenhuma corte humana, mas por Deus? Morte, eu sei disso! Eu sei que meu pecado é seu aguilhão, e que o poder desse aguilhão é a inquebrável vontade de Deus.

“Morte, não sou eu que estou esquecendo algo. Mas você, meu velho inimigo. Você esqueceu o que lhe perguntei? Acho que você tem medo de responder minha pergunte, Morte. Já te perguntei duas vezes, e você não quis me responder. Por quê, Morte? Por quê você não me responde? Vou te perguntar mais uma vez, onde está o teu aguilhão, Oh Morte? Não, O que é o seu aguilhão? Não, Qual o poder do aguilhão? Minha pergunte para você, Oh Morte, é, onde está seu aguilhão?”

Pela primeira vez, a Morte hesitou. Por um brevíssimo momento, a Morte olhou incerta de si mesma. Mas então recuperou-se rapidamente e continuou sua peleja. Cheia de inimizade, a Morte disse, “Meu aguilhão, Victor – está na sala do tribunal do seu coração e na sala do tribunal dos céus. E no seu coração ele queima com culpa e nos céus ele resplandece com condenação.

“O mais próximo que chego de você, Victor, mais a sua consciência é como um promotor que o acusa de forma infalível e faz o seu coração tremer com a culpa. E o mais próximo que você pode chegar de mim, o mais claro que podes ver nos céus é que Satanás tem todos os seus pecados escritos em suas mãos enquanto está ante o Juiz, e seu caso contra você é aprova de falhas. Você está condenado. É aí onde está meu aguilhão, Victor. No seu coração te matando com culpa e medo. E nos céus te condenando na sala da corte de Deus.”

A Morte calou. Ela havia chegando o mais longe que podia chegar. Aquele foi seu pior ataque. E em seu silêncio havia de novo um pequeníssimo vacilo. Um tremor em sua bochecha. Uma intranqüilidade praticamente perceptível. Victor pareceu estranhamente imóvel. Seus olhos estavam fixos. Seus lábios calmos e prontos. Ele pareceu despreocupado com a resposta da Morte. E deixou a resposta cair no silêncio por um longo tempo.

Então ele disse, “Não, Morte, não é aí onde seu aguilhão está. Minha vida de pecados não está no meu coração. E ela também não está nos céus. Você está mortalmente enganado. E eu não estou surpreso que você não esteja escutando. Quando você veio a mim, você lembra do que eu disse? Eu disse, ‘Olá, Morte, minha velha inimiga. Meu velho capataz. Eu não sou a pessoa que você pensa que eu sou. Eu não sou a pessoa com que você costumava falar. Alguma coisa aconteceu. Isso não vai ser como era nunca mais.’ Você se lembra? Você está ouvindo? Eu não sou o mesmo garoto que você costumava aterrorizar com pensamentos de morte.”

A Morte não disse nada.

“Escute, Morte,” Disse Victor, “Jesus veio a mim. Não, eu não o vi em carne. Eu não ouvi uma voz audível. Mas ele veio a mim. E eu o ouvi. Ele falou para mim pela Bíblia e pela minha mãe e meu pai. E eu vou te dizer o que ele disse.

“Ele disse, ‘Victor, você estar morto em seus delitos e pecados. Mas estou concedendo a você o crer e estou lhe dando vida – vida espiritual que nunca vai ter fim. Confie em mim. Se apegue a mim. Creia em mim. Porque isso foi o que eu fiz por você há 2000 anos. Eu cancelei o registro dos débitos de seus pecados. Eu os deixei de lado (Colossenses 2:14a)*; Você sabe como?’”

“E eu acenei com a cabeça quando ele disse aquilo, Morte. Eu acenei com a cabeça porque eles tinham me falado. Minha mãe e meu pai. Eles me disseram isso tão plenamente. Eles me amam tanto. Eles me disseram que ele morreu para cancelar meu débito. E quando eu acenei, Jesus sorriu, e disse, ‘Conheço seus pais há muito tempo. Eles ouviram minha voz há muito tempo atrás. Por esta razão você está aqui. Eles te falaram porque eu falei para eles contarem a você. Então você me diz, Victor. Me diga, como eu cancelei o débito dos pecados a 2000 anos atrás? Me diga qual foi o preço.’”

A Morte estava tentando distanciar o olhar. Ela tentou manter sua vangloria. Mas agora o medo em sua face era inegável. Ela havia ouvido estas palavras muitas vezes antes. E elas não foram um bom presságio a sua vitória.

Victor olhou para a Morte com total confiança e disse, “Então eu disse para Jesus, ‘Eu sei que pagar meus pecados custou sua vida. Você obedeceu seu Pai nos céus e foi para a cruz. E lá penduraram suas mãos, e Deus dobrou o registro das minhas faltas – o registro de todos os meus pecados – e pôs em um ponto dos cravos, e passou-os através do registro dos meus pecados e de suas mãos, e no madeiro, e pregou meus pecados em sua cruz’ (Colossenses 2:14b)*. E Jesus olhou para mim com o mais profundo sorriso que eu já havia visto e disse, ‘E você sabe o que aconteceu então?’

‘O que aconteceu então?’, Perguntei.

Jesus disse, ‘Eu despojei os principados e as potestades – o demônio e seus espíritos maus – , Eu os despojei e publicamente os expus ao desprezo, triunfando deles na cruz (Colossenses 2:15)*. Você sabe como, Victor? Você sabe como eu despojei o demônio quando eu morri por você?’

‘Como?’ Perguntei.

‘Quando eu morri no seu lugar, e sofri a sua punição, e cancelei os seus pecados, Eu o arrebatei das mãos de Satanás a única arma com a qual ele poderia te destruir: o registro dos seus pecados. Victor, você entende, não? O débito foi pago. Seu pecado nunca mais será cobrado de você. Tão certo como meu sangue é infinitamente precioso, seu pecado está infinitamente cancelado. E Satanás não pode jamais levantá-los contra você.’”

Então Victor disse a Morte, “Você sabe o que Jesus disse depois, Morte?”

A Morte não se moveu ou disse uma palavra.

“Jesus disse, ‘Então agora você sabe, Victor, como lidar com a morte quando ele vier.’”

Então Victor disse, “Então agora você veio. E eu perguntei a você, ‘Onde, Oh Morte, está o teu aguilhão?’ E você tem me respondido com mentiras. Horríveis, horríveis mentiras. Você tem dito que o seu aguilhão está nas mãos da minha consciência fazendo meu coração gemer com culpa. Você tem dito que seu aguilhão está nas mãos de Satanás nos céus me condenando diante de Deus. Morte você é uma mentirosa como seu pai.”

“Onde está o teu aguilhão, Oh Morte? Onde está o meu pecado? Ele está pregado na cruz de Jesus. É ali onde está o teu aguilhão. E você sabe disso. E você mentiu para mim.”

“E aqui também vai mais algo que você já sabe. Você sabe o que acontece com uma abelha do mel quando seu ferrão é removido. Ela morre. Morte, seu aguilhão foi removido. Você está morrendo. E eu estou chegando a vida. E não vai demorar muito até que eu esteja complemente vivo, e meu corpo será tirado da terra, e, Morte, você não existirá mais.”

A Morte não disse nada, mas olhou fixamente para Victor, e tornou a partir.

Mas Victor disse mais uma coisa, “Morte, aqui vai algo que você não sabe. Minha história vai ser contada. Esta história. Sua triste história e minha feliz história. Isto vai ser contado no meu funeral. E muitos vão ouvir e crer em Jesus. Você vai ser saqueada, Morte. Pessoas vão ouvir e crer em Jesus, e o seu aguilhão vai ser tirado de sua calda, e Jesus vai libertar muitos da escravidão do medo de você.

“Minha morte e a celebração da minha vida, serão sua morte, Morte.”

Ele fechou seus olhos. Em quando abriu a Morte havia partido. Victor voltou a seu travesseiro, e sussurrou, “Morte, você não precisa mais aparecer aqui para me amedrontar. Deus vai te dizer quando deves vir a próxima vez. E quando você vier, vai ser seu servo. Para mim, você não terá mais aguilhão.”

Oh Morte, onde está sua vitória?

Oh Morte, onde está o teu aguilhão?

O aguilhão da Morte é o pecado, e o poder do pecado é a lei.

Mas graças a Deus, que nos dá a vitória

Por meio de Nosso Senhor Jesus.

1 Coríntios 15:55-57

*Tradução Livre.

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